Célia

“Sentada naquele consultório o meu chão e o meu teto me foram arrancados de repente. Vaguei pelo mundo até chegar, sem saber como, em minha casa. E alí eu chorei. Chorei por duas semanas inteiras. Entristeci. A certeza da doença e o medo de partir me paralisaram. Não vou ver minha neta crescer? Não vou terminar a minha faculdade? Fiquei com raiva.

Era benigno! Me disseram que era benigno! Há três anos eles o descobriram e era apenas um nódulo de 3 mm – benigno. Mas agora não era mais. Eu precisava lidar com o fato de ter um tumor de 3 cm em meu seio esquerdo. Desacreditava.

Mas havia pressa…minha cirurgia foi agendada para o dia 25 de julho. E foi neste momento que descobri uma fé três vezes maior do que eu julgava ter. Me fortaleci em minhas orações, na meditação, em minhas velas, meus incensos e passei a acreditar que a minha cura tinha data marcada: era dia 25 de julho. Meu marido brinca que conheci todas as religiões do mundo, em apenas 15 dias. É verdade!

Fiquei mais forte, mas o processo não foi fácil, confesso. Sinto que entrei de uma maneira naquela sala de cirurgia e sai de outra. O meu seio esquerdo foi retirado, assim como os linfonodos do meu braço esquerdo e fiquei com algumas limitações de movimentos neste braço. Precisei de muita ajuda no pós cirurgia e o meu marido cuidou de mim.

Hoje eu sei o quanto é importante ter alguém para se contar, ele é meu presente divino. E minha família é minha legião de anjos, orando e torcendo por mim, mesmo que de longe, pois eles moram no nordeste. Tenho sorte!

Continuo me achando bonita, me aceito. Sempre me aceitei. Nunca me preocupei com os padrões estéticos. Sempre amei os meus cachinhos, meus seios pequenos, a minha magreza. Nunca pensei em passar por uma cirurgia plástica. Minhas amigas brincam que agora eu vou ficar turbinada. E já que terei que fazer a reconstrução, ela será bem vinda. Será um novo eu. Estou lagarta e vou virar borboleta.

Hoje eu sei o verdadeiro valor de se estar viva. Poderia não ter voltado daquela cirurgia. E quando eu vi o sol pela primeira vez depois dela, eu reconheci que estava recebendo minha vida de volta, entrando pela janela e a agarrei com todas as minhas forças. Até tirei uma foto para não esquecer o que senti naquele momento.

É preciso fazer o autoexame! E se você que está lendo a minha história tem um nódulo, por menor que seja, independente de parecer benigno, havendo a possibilidade – faça uma biópsia – simplesmente faça! Eu passei três anos sem uma biópsia. Retirar uma pequena parte de seu seio será bem menos doloroso do que retirá-lo por inteiro.

A minha batalha continua, irei iniciar a quimioterapia e a radioterapia em breve. E justamente em uma semana que me sentia um pouco triste, conheci o Cada Uma e dois anjos disfarçados de fotógrafos a quem serei grata eternamente. Pois através de seus olhares percebi que o feio não existia e que eu poderia fazer bonito! Se uma mulher ver as minhas fotos, minha história e fizer uma mamografia, a minha missão estará cumprida!”

Em junho de 2016, Célia – uma jovem avó de 43 anos, estudante de direito, apaixonada pela sua família, pela vida e pelos animais – descobriu que estava com câncer de mama. Um nódulo descoberto em 2013, de apenas 3 mm, em três anos havia se tornado um tumor de 3 cm. Ela precisou passar por uma mastectomia total da mama esquerda e retirar os linfonodos dos seu braço esquerdo. Célia aguarda pela sua cirurgia de reconstrução de mama e iniciará quimioterapia e radioterapia em breve. Luta bravamente. E vive a vida!

Texto: Livia Almeida